| Sorriso Agora
14/06/2010 ás 13:22 - Atualizado em 14/06/2010 13:22:00
Sorriso: MST segue bloqueando a BR-163 próximo ao Rio Lira
Para ter acesso ao outro lado, a imprensa é acompanhada por alguns dos homens, indicado pelas lideranças.Somente ambulância imprensa e polícia estão liberados para passar pelo bloqueio do MST – Movimento Sem Terra, encima da ponte do Rio Lira na BR 163, perímetro urbano de Sorriso, no Médio Norte do estado de Mato Grosso.
Cerca de 800 pessoas, entre mulheres e crianças, invadiram a margem direita do Rio Lira, sentido Sinop / Sorriso e armados com facões, foices e pedaços de madeira, colocaram alguns troncos de arvores sobre a pista e ninguém passa, nem mesmo de bicicleta.
Para ter acesso ao outro lado, a imprensa é acompanhada por alguns dos homens, indicado pelas lideranças, apesar de que os integrantes do MST dizem que, “aqui não existe líder, todos são lideres”.
Várias barracas foram montadas e o grupo se divide entre quem ficou de alerta durante a noite e quem bloqueia a ponte.
“Estamos preparados para ficar o tempo que for necessário para serem atendidas nossa pauta de reivindicações, se for preciso uma semana ou duas, ou até mais”, comentou Benedito Borges, porta voz do grupo e um dos únicos a se manifestar junto a imprensa.
Pauta de reivindicações.
Benedito Borges, um dos únicos autorizado a se manifestar neste bloqueio do MST encima da ponte do Rio Lira em Sorriso, foi enfático em destacar que a pauta tem cinco pontos específicos, sendo o primeiro a reabertura do processo de reintegração de posse da Fazenda Santa Rosa I – assentamento próximo ao Distrito de Boa Esperança do Norte. “As famílias se encontram nesta área há 12 anos, fizeram melhorias e agora a Justiça manda estas famílias deixarem aquela área em favor dos fazendeiros que nunca habitaram aqueles lotes e nós discordamos disto, como é que a Justiça tem coragem de despejar estas 300 famílias?, indaga o porta voz.
Outro item refere-se a criação de projeto de assentamento que o Incra já adquiriu um área na região regularização de uma área próximo a Sinop, Cláudia e União do Sul, sendo que nestes locais existem quatro áreas de propriedade do Incra que já teria até pago os fazendeiros, e até agora não parcelou os lotes e não libera créditos e as famílias não tem como trabalhar.
Um terceiro ponto de pauta e a continuidade do PPS de um PA – Projeto de Assentamento da região de Claudia, onde estão sendo assentados 500 famílias, sendo esta área comprada em novembro do ano passado e até agora o Incra não agiliza a oficialização do Projeto.
Prossegue Benedito Borges, destacando que, “também queremos a liberação de cestas básicas, por que o governo anuncia que manda cestas básicas para os assentamentos e isto é uma grande mentira do Incra, por que tem assentamento que está a 8 meses sem receber uma cesta sequer, sem falar que existem crianças que estão sem escola nos assentamentos”, frisou.
Para iniciar as negociações de desbloqueio o MST exige a presença de um representante do Gabinete do governo estadual, um membro do departamento de Obtenção de Terra do Incra, um representante da Procuradoria Estadual e um representante do Incra do Departamento de Conflitos Agrários, presença do Juiz da Comarca de Sorriso e de Promotor.”Juiz e Promotor por que queremos que haja uma solução quanto a possibilidade de conflito na Fazenda Santa Rosa, no caso de ser exigida a reintegração de posse daquela área”, salientou Benedito destacando que já houve também uma audiência com o governador que se mostrou simpático em fazer parceria com o MST, mas até o momento não foi tomada nenhuma posição.