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14/06/2010 ás 22:36 - Atualizado em 14/06/2010 22:36:00
Brasil curioso! Mulher alimenta cerca de 200 quatis em Campo Grande
Por: Campograndenews

Campo Grande é conhecida por manter um espírito de cidade do interior mesmo sendo a capital do Estado. Em diversos pontos, é possível encontrar exemplares da fauna, como capivaras e araras, proporcionando um contato direto com a natureza. No bairro Zé Pereira, região sudeste da cidade, esta proximidade tornou-se rotina para uma moradora.

 

 

 

 

Há cinco anos, Cléo dos Santos, de 47 anos, administra seus horários para poder alimentar os 200 quatis que vivem na reserva em frente à sua casa, na rua Alexandrino Marques.

 

 

 

 

“Acordo já pensando no que preciso fazer para manter meus bichinhos alimentados e saudáveis. E é todo dia, de segunda a segunda. Afinal, a fome não dá folga, né?”, aponta a dona de casa.

 

 

 

 

Os “bichinhos” chegam próximo ao portão da casa em busca de alimento. A cumplicidade é tamanha que Cléo conhece alguns pelo nome, como o impetuoso Terê e o casal Bella e Edward, em homenagem aos protagonistas da série Crepúsculo. “Vem aqui com a mamãe, deixa o moço fotografar, não precisa ter medo”, fala Cléo, com aquela voz maternal que encoraja os filhos a encarar algo novo.

 

 

 

 

Horários - A rotina de Cléo começa às 6h30 com o café da manhã. No início da tarde, às 14 horas, ela serve o almoço, e ao final do dia, por volta das 17 horas, os animais retornam para o jantar. No cardápio, restos de comida e frutas. “Eles adoram melancia e banana”, orgulha-se a cuidadora. Para alimentar todos os quatis, são necessárias 25 melancias e duas caixas de banana.

 

 

 

 

A primeira vez que se deparou com um grupo de quatis foi há cinco anos. Alguns vizinhos haviam colocado veneno no lixo para espantar os gatos. Naquela semana, oito gatos apareceram mortos. “Quando cheguei um dia de madrugada, vi os bichos e não reconheci como gatos. Foi então que começou nossa relação”.

 

 

 

 

Mesmo cuidando de muitos quatis – Cléo estima que sejam 200, fora os filhotes que virão até agosto – a rotina a agrada. “Não faço nada forçado ou sob pressão. Faço porque gosto e me preocupo com eles”. Sobre o custo para alimentar essa “tropa”, a dona de casa chega a gastar R$ 700 por mês.

 

 

 

Protetora - Na reserva em frente à casa, Cléo mantém uma área limpa onde alimenta e conversa com seus “filhinhos”. Ela relata que algumas pessoas tentam jogar lixo ou atear fogo, mas ela é a guardiã do local, que serve de habitat para os quatis.

 

 

 

“As obras aqui já tiraram muito espaço deles. Tento manter limpo para que eles tenham algum conforto”, conta a mulher, referindo-se às construções do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na região do córrego Imbirussu.

 

 

 

 

Do grupo de animais, a mulher já enterrou três, a maioria atropelada. Um dos quatis perdeu uma das patas, mas conseguiu sobreviver. Cléo denuncia que na reserva existem outras espécies – como cotias, capivaras e lontras – e que a abertura de uma rua destruiu árvores que serviam alimentos para os bichos, como amoreiras e mangueiras.

 

 

 

 

“Eles só tem a mim e minha vida gira em torno deles”, emociona-se Cléo.